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1 vestido curto + 1 país hipócrita = 15 minutos de fama

Posted by Alex on 22:48 in
Confesso que fiquei muito decepcionado com os rumos tomados pelo "Caso do Vestido Pink da UNIBAN"... Desde o início de toda a polêmica, sempre estive ao lado da garota Geisy. Na verdade, a situação toda parecia demasiadamente surreal para ser verdade. Imaginar mais de 700 alunos perseguindo a jovem pelos corredores do campus era uma verdadeira visão da caça às bruxas em pleno século XXI.

É difícil identificar nessa trama o que foi mais constrangedor... Talvez nem seja a postura falso-moralista da UNIBAN, afinal, vivemos em um país machista, paternalista e regido por conceitos distorcidos de ética e moralidade, e que também refletem na opinião pública...

A postura dos estudantes, então, é praticamente inconcebível esperar uma atitude tão grotesca vinda de pessoas supostamente civilizadas, já que frequentam um curso superior. Mas se pararmos para pensar bem, os ‘inquisidores’ não passam de crias desse mesmo sistema pseudo-moralista de nossa sociedade hipócrita.

As dimensões que o caso tomaram foram inimagináveis: até mesmo o The New York Times e veículos de toda a Europa deram destaque ao ato de selvageria e, posteriormente, à expulsão da garota da Universidade. Geisy levantou uma importante bandeira de um preconceito nada velado de nossa sociedade contra as mulheres.

No entanto, o que poderia tornar-se um marco, acabou se tornando algo banal... A garota começou a beber da fonte da fama instantânea, e deixou de lado sua luta por justiça, para aproveitar da fama repentina.

E não estou falando de contar sua história no 'Fantástico', no 'Domingo Espetacular' ou nos programas carniceiros das tardes da Rede TV!... Agora são participações no 'Casseta e Planeta' (foto), no 'Esquadrão da Moda', convites da 'Sexy' e da 'Playboy'... E nasce mais uma sub-celebridade!

Acredito que Geisy perdeu uma grande chance de tornar o que sofreu em uma verdadeira conquista, esfregando na cara do grande público o que está bem em nossa frente no dia-a-dia, mas que maquiamos como se não estivesse lá.

Mas estaria ela errada ao optar por seus 15 minutos de fama? Na verdade, acho que não. Ela seguiu o caminho que achou mais conveniente, e aproveitou as oportunidades que lhe foram surgindo. Contudo, que destino aguarda Geisy e sua nova vida de 'estrela'? Certamente não é difícil que ela acabe com algum papel de 'gostosa burra' no 'Zorra Total'...

E penso que aí surge o fator mais decepcionante de toda esta história. Ao invés de continuar sua luta para ajudar a desmascarar um pouco da hipocrisia dos nossos brasileiros, a 'garota do vestido curto' assume de vez o papel que lhe foi conferido por aqueles que a julgaram, condenaram e caçaram pelos corredores da Universidade.

Triste, mas verdadeiro... Entretanto, quem pode julgar Geisy? Afinal, ela também é cria da mesma sociedade de seus algozes. Deixemos então que todos tenham seus preciosos momentos sob os holofotes. Pois, quando eles se apagarem, esta será apenas mais uma história esquecida no país onde esquecer-se das injustiças é o curso natural das coisas.

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Então é Natal... Simulacro de felicidade

Posted by Alex on 19:09 in
O Natal está chegando! Para mim, essa época do ano é sempre precedida de uma certa excitação. Desde os tempos remotos da minha infância (rs), o clima natalino é causador de uma sensação súbita de alegria. O simples fato de observar os laços vermelho e as luzes piscando é suficiente para despertar um sentimento repentino de felicidade. Repentino e passageiro, como cada piscada das lâmpadas do pisca-pisca. Mas por que o Natal exerce esse efeito sobre mim? Talvez uma boa discussão para levar para a terapia... Rs

O fato é que, o Natal tem diferentes significados dependendo do ponto de vista: para os cristãos é uma data sagrada para celebrar o nascimento de Cristo, para as crianças o dia de receber presentes, para o comércio época de lucrar com as vendas, para as famílias tempo de reencontrar-se com os parentes e comemorar... Mas nenhum destes sentidos que o Natal pode encarnar é o mais significativo para mim.

Então o que seria tal sensação confortante que me invade enquanto meus olhos se perdem fixos nas luzes que piscam? Uma ilusão. Quando eu paro para pensar, o Natal para mim é um simulacro de felicidade... Um sonho, que por alguns instantes parece se tornar real a cada piscada das pequenas lâmpadas. A visão de um mundo perfeito, preenchido de um sentimento de esperança. É como se naqueles breves minutos fosse capaz de fazer parte de um mundo de bengalas de açúcar, sinos dourados e ursos vestidos de Papai Noel.

O irreal torna-se o ideal. E enquanto observo aquelas luzes piscando nenhum mal passa pela minha mente. As dores e angústias se dissipam, e dá até para acreditar que é possível ser feliz. Uma felicidade simples e despretensiosa, como a de uma criança que ganha um brinquedo. Por um minuto, é como se sentir novamente ingênuo... Uma pureza que é capaz de permitir-se acreditar nessa falsa sensação de alegria, mesmo que por alguns instantes.

Viver a realidade é uma tarefa difícil... Vivemos cansados, desestimulados, angustiados, aflitos e desanimados. Acho que é normal que o nosso sub-inconsciente encontre válvulas de escape como esta. Elas ajudam a tornar a realidade um pouco mais suportável.

Então, viva o Natal! Embora o ideal ainda seja buscarmos encontrar a felicidade no que é real e tangível, vivamos um pouco estes pequenos momentos de felicidade ilusória. Experimentar desta súbita alegria, de certa forma, nos torna mais esperançosos e com mais ganas para alcançar este sentimento na realidade. E, talvez, sem esta esperança a nossa jornada por aqui não passasse de alguns meros passos, que seriam vencidos pelo primeiro tombo.

Vamos acreditar um pouco na ilusão, para sustentar no real a luta nossa de cada dia.

E que venham os perus e chocotones, é claro!!! Rs Afinal nem só de esperança vive o homem! Rs

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