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Viver a vida: vivendo e aprendendo...
Aprender a enfrentar as dificuldades e adversidades da vida e simplesmente viver: esta parece ser a 'mensagem' do autor Manoel Carlos em sua nova trama Viver a Vida. Substituindo o texto insosso de Glória Perez e suas personagens rasas e trama cansativa, Maneco traz de volta ao horário nobre global o foco nas relações humanas, sendo notavelmente o autor que melhor trabalha este elemento dentro da emissora.Das três últimas novelas globais, duas delas foram claramente fracas: a insólita Caminho das Índias e a medíocre Duas Caras de Agnaldo Silva. Embora entre elas, tenha sido exibida a instigante A Favorita, que tem seus méritos: uma trama bem enredada e grandes interpretações de Patrícia Pillar, Ary Fontora e Murilo Benicio. Entretanto, é notável a ausência de um grande texto na faixa nobre desde Belíssima, de Silvio de Abreu e Paraíso Tropical, de Gilberto Braga.
E Viver a Vida vem para retomar a trilogia: Maneco, Silvio de Abreu, Gilberto Braga... E começou com o pé direito. Sempre fui um grande admirador da capacidade do Manoel Carlos em desenvolver essa 'humanidade' em suas personagens. Desde Felicidade, em 91, o autor vem acumulando ótimas tramas, que se destacam muito mais pela construção de suas personagens e relacionamentos, do que por seus temas e desenvolvimentos mirabolantes. Suas obras são simples, diretas, profundas e reais.
Sua última novela Páginas da Vida, no entanto, não me cativou... Não acompanhei e por isso essa lacuna em minha interpretação da obra de Maneco pode ser significante, embora do pouco que vi, ele manteve o 'elemento humano', com os depoimentos no término dos capítulos – será que teremos mais alguma vovó molhando suas calcinhas ouvindo Roberto Carlos este ano? Rs
Brincadeiras a parte, considero o Maneco um autor de certa forma metódico dentro de seu processo criativo... Sendo assim, era de se esperar que ele e o diretor Jayme Monjardim retomassem o recurso dos depoimentos, que chamou muita atenção na época e, ao meu ver, com essa trama se encaixa bem, exibindo histórias de superação... histórias de viver a vida.
E de volta está também sua heroína imperfeita. Forte e guerreia... Doce e compassiva... A Helena. A figura que se tornou sua marca registrada vem repaginada, quebrando de uma só vez dois paradigmas. Pela primeira vez, a Helena abandona o papel da 'mãe acima de todas as coisas', e deixa de ser uma mulher madura para ser encarnada por uma jovem mulher bem sucedida. Pela primeira vez também, não apenas na trama de Maneco, mas de qualquer novela global, uma mulher negra é protagonista de um folhetim.

E quem melhor que Taís Araujo para encarar este desafio? Afinal Taís já estreou como protagonista, fazendo a celebre Xica da Silva, e marcou história sendo a primeira protagonista negra na Globo, em Da Cor do Pecado, trama das 7 de 2004. Aliás, só como curiosidade, a novela de Maneco assim como em Da Cor do Pecado traz Giovanna Antonelli como a vilã e gêmeos que prometem entrar na disputa pelo amor da mocinha...
Mas parece que as semelhanças param por aí. Helena parece que não vai carregar todo aquele drama de Preta sua personagem em 2004. E nem os mesmo dramas comuns a todas as Helenas – pelo menos não de uma forma tão melodramática. Pelos poucos capítulos a personagem – em grande interpretação de Taís – já mostrou que fugirá na linha chorona, da Helena predecessora, a de Regina Duarte em Páginas da Vida ou da personalidade insossa e apagada da Helena de Cristiane Torloni em Mulheres Apaixonadas, ofuscada por tramas paralelas.
A interpretação de Alinne Moraes, como a enjoadinha Luciana também está em grande destaque. Outra personagem base das histórias de Manoel Carlos: a filha mimada. Apesar de odiar a Joyce de História de Amor, de 93 e a Maria Eduarda de Por Amor, de 97, simpatizei com a personagem Luciana. Talvez, pela interpretação de Alinne estar na medida certa.
A sempre ótima Lília Cabral também mostrou ótimos diálogos como a histérica Tereza, a ex-modelo que odeia ser ex qualquer coisa... Rs Outro destaque fica para Matheus Solano, que interpreta os gêmeos Jorge e Miguel, até agora mandando muito bem no papel.
Confesso que estou ansioso para ver a Dora de Giovanna Antonelli em ação, já que a considero uma das melhores atrizes de sua geração e sua filha na trama, a primeira vilã mirim – outro marco de Maneco – além da personagem Renata, interpretada por Bárbara Paz, que pela sinopse da personagem e capacidade da atriz promete um banho de interpretação! Alias, apesar de apenas dois capítulos, esta novela toda promete bastante! Tanto que até me animou a voltar a escrever o blog.
Conforme o desenrolar da trama, vamos ver se as impressões iniciais se confirmam... Tudo indica que sim. E chega de are baba e “Você não vale nada mas eu gosto de você...”.
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